Marshmallow

Teste do Marshmallow: Eis um desafio difícil – adiar prazeres imediatos e esperar pela recompensa a longo prazo.

Tomada aérea, um hotel localizado em um local isolado e bonito, com belas paisagens. Outra cena: um grupo de cinco pessoas pulando e gritando, mostrando alegria excessiva. Na sequência o vídeo mostra o que parece ser uma pista de dança, com muitas luzes hipnóticas e músicas, dezenas de pessoas dançando e cantando em meio a muita fumaça. Um palestrante no palco.

Pessoas na plateia com as mãos no peito, olhos fechados, repetindo o que parece ser uma espécie de mantra. Outro palestrante. E assim prossegue o vídeo promocional, com cenas reais cujo objetivo é promover um “treinamento de liderança e de negócios”. Confesso que não me interessei em assisti-lo integralmente porque o final era algo previsível, mostrar a redenção e a felicidade, as pessoas encontrariam ali a resposta que tanto procuravam.

Como cientista e sob uma ótica mais crítica observei de pessoas à busca do autoconhecimento, da decolagem das suas carreiras, do crescimento do negócio ou da saída para a crise. Mas o que vi foram seres humanos em transe hipnótico, levados por pessoas que intencionalmente, queriam provocar uma dependência emocional ou até mesmo uma conversão. E ao contrário do que pensam, elas não encontram o que buscam. A oferta inicial era a de sucesso, mas isso já não importa mais porque sofreram uma espécie de lavagem cerebral, não se lembram do objetivo inicial. O que encontram são sensacionalismos, inconsequências, meras irrelevâncias e modismos. Mas acreditem, mesmo assim elas saem satisfeitas. O que justifica algo assim?

Não podemos negar, sabemos que é muito difícil esperar por uma recompensa a longo prazo. Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou em perder cinco quilos em uma semana. Vivemos em um mundo líquido, onde as emoções são passageiras, a informação é superficial, baseada em mágicas, na persuasão e no carisma das pessoas que a transmitem. Não existe profundidade ou embasamento, somente modismos e imediatismos.

A oferta desse tipo de treinamento aumenta a cada dia pois quem os comercializa conhece profundamente a carência e os desejos humanos. Os que frequentam vendem seus carros, suas casas, fazem empréstimos e mesmo assim, não encontram nenhum tipo de solução para seus problemas. Veem seu faturamento despencar, suas dívidas aumentarem, as empresas falirem, seus funcionários perderem seus empregos e ainda assim se sentem gratificados quando pensam nas sensações vividas. Procurarão sempre aquele prazer que aciona o gatilho mental da recompensa. Se o negócio não deu certo, culpam-se a si próprios por terem feito, como diz a música 99% do que o curso mandou, mas deixaram de fazer aquele 1%. Por isso, é preciso mais, quem sabe, fazer um outro curso?

O Teste do Marshmallow

Isso me lembra o experimento conhecido como “Teste do Marshmallow” realizado na década de 1960 pelo psicólogo Walter Mischel na Universidade de Stanford. Nele, Mischel e seus alunos de pós-graduação deram a algumas crianças na idade pré-escolar a escolha entre uma recompensa (marshmallow) que elas poderiam comer imediatamente, e uma recompensa maior (dois marshmallows) se elas esperassem sozinhas, para comê-los mais tarde (por até 20 minutos). Anos depois, Mischel e sua equipe descobriram que as crianças que tinham esperado para o segundo marshmallow geralmente se saíram melhor na vida.

O Mundo Líquido

O mundo líquido, conforme preconizado pelo sociólogo Zygmunt Bauman parece ter se esquecido rapidamente dessa lição. Quando falo do futuro que emerge me refiro a adiar prazeres, a esperar pela recompensa, ainda que seja difícil. Não existe fórmula para o sucesso, existe processo para o sucesso.

Minhas opiniões podem chocar alguns de vocês. Mas é o que penso e sinto. Sempre optei por escolher meus próprios caminhos, ainda que não sejam os mais fáceis. Em vez de releituras e de resumos, prefiro ler a obra toda e pensar por mim mesma, a deixar que outros o façam por mim. Demora mais, mas garanto que vale à pena. Minhas críticas são fundamentadas e sempre me proponho a debatê-las com quem quer que seja. Estou sempre disposta a ouvir outras opiniões, desde que sejam tão embasadas quanto a minha.

O Presente e o Futuro

Entre os prazeres imediatos (que representam o presente), tenha em mente que é preciso ser generoso com o “eu do futuro”, é necessário sim proporcionarmos uma vida prazerosa agora, mas sem nos esquecermos do futuro. O problema é que a maioria das pessoas não pensa assim.

Quando imaginar você ou ou seu negócio com os olhos da mente, e realmente se ver daqui a 10 anos, considerará o fato de que esse tipo de curso e modismo não o levará ao estado desejado.

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