{"id":27277,"date":"2026-08-09T16:52:21","date_gmt":"2026-08-09T19:52:21","guid":{"rendered":"https:\/\/isiinfinity.com.br\/artigos\/?p=27277"},"modified":"2026-08-09T16:53:59","modified_gmt":"2026-08-09T19:53:59","slug":"burnout-e-boreout-qual-a-diferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/isiinfinity.com.br\/artigos\/burnout-e-boreout-qual-a-diferenca\/","title":{"rendered":"BURNOUT E BOREOUT: qual a diferen\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"100\" data-end=\"223\"><strong data-start=\"100\" data-end=\"121\">Burnout e boreout<\/strong>: trat\u00e1-los simplesmente como opostos \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o que pode levar a interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas.<\/p>\n<p data-start=\"225\" data-end=\"428\">O <a href=\"https:\/\/isiinfinity.com.br\/artigos\/bureout-no-trabalho\/\">boreout<\/a> est\u00e1 relacionado \u00e0 subestimula\u00e7\u00e3o no trabalho, ao t\u00e9dio e \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de estagna\u00e7\u00e3o. Mas como ele se diferencia do burnout, tema j\u00e1 mais conhecido nas organiza\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p data-start=\"430\" data-end=\"525\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">De forma did\u00e1tica, podemos come\u00e7ar pelas principais diferen\u00e7as apresentadas na tabela a seguir:<\/p>\n<h2 data-start=\"430\" data-end=\"525\">Burnout e boreout<\/h2>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Aspecto<\/strong><\/td>\n<td><strong>Burnout<\/strong><\/td>\n<td><strong>Boreout<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Problema predominante<\/strong><\/td>\n<td>Demandas excessivas e estresse cr\u00f4nico relacionado ao trabalho<\/td>\n<td>Subestimula\u00e7\u00e3o, t\u00e9dio, baixo significado ou crescimento<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Experi\u00eancia caracter\u00edstica<\/strong><\/td>\n<td>Exaust\u00e3o e distanciamento<\/td>\n<td>T\u00e9dio, desinteresse e estagna\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Rela\u00e7\u00e3o com demandas<\/strong><\/td>\n<td>Pode estar associado a demandas excessivas (sobrecarga de trabalho)<\/td>\n<td>Pode estar associado a baixos desafios e subcarga de trabalho<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>Poss\u00edvel resultado<\/strong><\/td>\n<td colspan=\"2\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Preju\u00edzo ao bem-estar e ao v\u00ednculo com o trabalho<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"76\" data-end=\"306\"><strong data-start=\"76\" data-end=\"218\">Embora o resultado possa ser semelhante (preju\u00edzo ao bem-estar e ao v\u00ednculo com o trabalho), os caminhos que levam a ele s\u00e3o diferentes.<\/strong> Al\u00e9m disso, a realidade organizacional \u00e9 mais complexa do que a tabela pode demonstrar.<\/p>\n<p data-start=\"311\" data-end=\"406\">Por exemplo, uma pessoa pode ter muito trabalho e pouco desafio intelectual ao mesmo tempo.<\/p>\n<p data-start=\"411\" data-end=\"621\">Imagine algu\u00e9m que precisa processar centenas de opera\u00e7\u00f5es praticamente id\u00eanticas todos os dias. Existe uma grande demanda quantitativa, mas baixa variedade e pouca oportunidade de utilizar outras compet\u00eancias.<\/p>\n<p>Sobrecarga e t\u00e9dio, portanto, n\u00e3o precisam ser mutuamente exclusivos.<\/p>\n<blockquote><p>Para a gest\u00e3o dos riscos psicossociais, isso refor\u00e7a a import\u00e2ncia de olhar n\u00e3o apenas para a quantidade de trabalho, mas tamb\u00e9m para a forma como ele \u00e9 organizado e vivenciado.<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma diferen\u00e7a importante: <strong>boreout n\u00e3o \u00e9 um diagn\u00f3stico cl\u00ednico<\/strong>.<\/p>\n<h2><strong>Boreout \u00e9 uma doen\u00e7a?<\/strong><\/h2>\n<p>Inicialmente, \u00e9 importante utilizar o termo com rigor. VAmos refor\u00e7ar que <strong>boreout n\u00e3o \u00e9 apresentado como um diagn\u00f3stico cl\u00ednico. <\/strong>Portanto, n\u00e3o \u00e9 utilizado como diagn\u00f3stico ou como justificativa direta para um afastamento por doen\u00e7a. Eventuais afastamentos dependem da exist\u00eancia e da avalia\u00e7\u00e3o adequada de uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A literatura cient\u00edfica sobre o fen\u00f4meno cresceu, mas sua conceitua\u00e7\u00e3o e mensura\u00e7\u00e3o ainda precisam ser mais investigados pois o termo \u00e9 relativamente recente em rela\u00e7\u00e3o aos outros construtos tradicionais da <strong>psicologia do trabalho<\/strong>.<\/p>\n<p>Por isso, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria concluir que um funcion\u00e1rio \u201ctem boreout\u201d com base em alguns comportamentos observados.<\/p>\n<p>O mais adequado para a gest\u00e3o \u00e9 investigar fatores concretos, como <strong>carga quantitativa, variedade das atividades, autonomia, significado, oportunidades de aprendizagem, utiliza\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias, recursos dispon\u00edveis, t\u00e9dio ocupacional e percep\u00e7\u00e3o de crescimento<\/strong>.<\/p>\n<p>Essa abordagem \u00e9 mais \u00fatil para a gest\u00e3o porque transforma um r\u00f3tulo abstrato em condi\u00e7\u00f5es de trabalho que podem ser analisadas e, quando necess\u00e1rio, modificadas.<\/p>\n<p>Para l\u00edderes, portanto, o ideal \u00e9 que o trabalho utilize capacidades, proporcione desafios adequados e permita desenvolvimento, deixando clara a contribui\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p><strong>Assim, <\/strong>a atua\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a \u00e9 importante tanto na preven\u00e7\u00e3o do boreout quanto na identifica\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es de trabalho que podem afetar o <strong>bem-estar e a sa\u00fade mental das equipes<\/strong>.<\/p>\n<h2><strong>O que l\u00edderes podem fazer para prevenir o boreout?<\/strong><\/h2>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o principal vai al\u00e9m de redistribuir tarefas, inclui, principalmente, \u00a0compreender <strong>por que o trabalho deixou de estimular aquela pessoa ou equipe<\/strong>.<\/p>\n<p>Em muitas atividades, principalmente as industriais, a repeti\u00e7\u00e3o faz parte do processo e nem sempre pode ser eliminada. Nesse caso, o l\u00edder pode atuar no que est\u00e1 ao seu alcance como por exemplos:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Avaliar al\u00e9m da carga:<\/strong> observar n\u00e3o apenas se h\u00e1 muito ou pouco trabalho, mas tamb\u00e9m sinais persistentes de desinteresse e estagna\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Aproveitar compet\u00eancias:<\/strong> quando poss\u00edvel, envolver o profissional em melhorias, solu\u00e7\u00e3o de problemas ou novas responsabilidades.<\/li>\n<li><strong>Dar significado ao trabalho:<\/strong> mostrar como a atividade contribui para a qualidade, seguran\u00e7a, produtividade e resultado da opera\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo para as pessoas (colegas, clientes finais).<\/li>\n<li><strong>Criar oportunidades de desenvolvimento:<\/strong> oferecer aprendizado, participa\u00e7\u00e3o em outras atividades ou desafios compat\u00edveis com a fun\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Ouvir a equipe:<\/strong> entender se o problema est\u00e1 na repeti\u00e7\u00e3o, na falta de perspectiva, no pouco aproveitamento das compet\u00eancias ou em outros fatores.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Nem sempre ser\u00e1 poss\u00edvel mudar a tarefa. Mas \u00e9 poss\u00edvel melhorar a forma como o profissional participa, aprende e percebe sua contribui\u00e7\u00e3o para o processo.<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Refer\u00eancias cient\u00edficas selecionadas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stock, R. M. (2015).<\/strong> <em>Is Boreout a Threat to Frontline Employees&#8217; Innovative Work Behavior?<\/em> Journal of Product Innovation Management, 32, 574\u2013592. DOI: 10.1111\/jpim.12239.<\/p>\n<p><strong>Harju, L.; Hakanen, J. J.; Schaufeli, W. B. (2014).<\/strong> <em>Job boredom and its correlates in 87 Finnish organizations.<\/em> Journal of Occupational and Environmental Medicine, 56(9), 911\u2013918. DOI: 10.1097\/JOM.0000000000000248.<\/p>\n<p><strong>Poirier, C.; Gelin, M.; Mikolajczak, M. (2021).<\/strong> <em>Creation and Validation of the First French Scale for Measuring Bore-Out in the Workplace.<\/em> Frontiers in Psychology, 12, 697972.<\/p>\n<p><strong>Kawada, M. et al. (2024).<\/strong> <em>Boredom and engagement at work: do they have different antecedents and consequences?<\/em> Industrial Health, 62(2), 110\u2013122.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Burnout e boreout: trat\u00e1-los simplesmente como opostos \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o que pode levar a interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas. O boreout est\u00e1 relacionado \u00e0 subestimula\u00e7\u00e3o no trabalho, ao t\u00e9dio e \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de estagna\u00e7\u00e3o. Mas como ele se diferencia do burnout, tema j\u00e1 mais conhecido nas organiza\u00e7\u00f5es? 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