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O que é persona na psicologia? Antes de responder a essa pergunta, é importante compreender o papel da segurança psicológica na forma como nos apresentamos ao mundo.
Existem histórias que atravessam gerações porque mostram conflitos humanos universais. O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde (adaptado frequentemente como O Médico e o Monstro) é uma delas. Mais do que uma narrativa sobre bem e mal, a obra simboliza a divisão entre aquilo que mostramos ao mundo e aquilo que mantemos oculto para preservar nossa imagem.
Dr. Jekyll representa o homem respeitável, moral e socialmente aceito. Mr. Hyde encarna tudo aquilo que não pode ser visto, assumido ou reconhecido. Não são duas pessoas distintas, mas dois lados de uma mesma personalidade.
Na psicologia analítica, essa face social recebe o nome de persona, enquanto os aspectos não reconhecidos da personalidade compõem aquilo que chamamos de sombra.
O conceito foi desenvolvido pelo psiquiatra suíço Carl Jung para descrever a forma como nos adaptamos ao mundo exterior. A persona é necessária para a convivência social, mas pode se tornar rígida e defensiva quando surge da falta de segurança psicológica.
A segurança psicológica está relacionada à possibilidade de sermos autênticos sem o medo constante de rejeição, punição ou desvalorização. Quando essa base não se estabelece, aprendemos a nos proteger por meio de máscaras — que são nossas personas.
Segundo a psicóloga junguiana Verena Kast, a persona regula nossa relação com o mundo externo, protegendo a intimidade da pessoa. No entanto, quando o controle se torna excessivo, ela deixa de proteger e passa a restringir a autenticidade emocional.
Assim como Dr. Jekyll precisava sustentar uma imagem irrepreensível, muitas pessoas constroem uma persona baseada na perfeição, no autocontrole e na correção constante. Não porque sejam naturalmente assim, mas porque sentem que errar, falhar ou demonstrar fragilidade ameaça seu valor pessoal.
Quanto menor a segurança psicológica, maior é a tendência de:
A persona, nesse contexto, funciona como proteção contra a insegurança interna e também como uma tentativa de proteção frente ao ambiente externo.
O problema se intensifica quando a pessoa passa a se identificar totalmente com a persona. Ela deixa de ser um papel e se transforma em identidade.
A vida começa a girar em torno da manutenção da imagem:
Verena Kast observa que, quando o controle emocional é exagerado, a pessoa perde o contato consigo mesma e com o outro. As relações tornam-se frias, distantes e automatizadas, e as experiências internas empobrecem.
Assim como Hyde emerge quando Jekyll já não consegue sustentar a divisão, aquilo que não encontra espaço para existir tende a se manifestar de formas indiretas, muitas vezes por meio de tensão emocional, irritabilidade ou sensação de vazio.
Nesse estágio, a persona já não protegem e torna-se uma prisão.
Uma relação mais madura com a persona não envolve eliminá-la, mas torná-la flexível e consciente.
Isso só é possível quando começamos a construir segurança psicológica suficiente para tolerar imperfeições, limites e vulnerabilidades.
Usar a persona de forma saudável significa:
Quando a segurança psicológica aumenta, a persona perde rigidez. A divisão interna diminui, e a personalidade passa a funcionar de maneira mais integrada. A máscara continua existindo, mas deixa de ser uma armadura defensiva.
A história de Dr. Jekyll e Mr. Hyde nos lembra que quanto mais tentamos sustentar uma imagem perfeita, maior tende a ser a distância em relação a quem realmente somos.
A persona surge onde falta segurança para ser inteiro.
Quanto menos segurança psicológica, maior a necessidade de parecer perfeito.
Reconhecer isso não é fraqueza, mas um passo essencial para uma vida mais autêntica, menos defensiva e emocionalmente mais saudável. Lembre-se de: quanto maior a segurança psicológica, menor a necessidade de sustentar uma máscara.



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