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Liderança situacional

Liderança Situacional: quando o que funcionava antes já não funciona

A experiência é um dos recursos mais importantes de uma liderança. Ao longo da carreira, aprendemos como gerenciar pessoas, tomar decisões, resolver conflitos, cobrar resultados e enfrentar situações difíceis. Algumas respostas funcionam tão bem que passam a fazer parte do nosso repertório habitual.

O ponto crítico acontece quando acreditamos que aquilo que funcionou no passado continuará funcionando em qualquer situação.

Pessoas mudam. Equipes mudam. O contexto muda. As exigências do trabalho mudam. E a liderança também precisa mudar.

Uma competência importante de quem lidera é reconhecer quando uma situação exige uma resposta diferente daquela que costumava funcionar.

Liderança Situacional: por que um único estilo não funciona para todos

A Liderança Situacional ficou conhecida a partir dos trabalhos de Paul Hersey, pesquisador e professor de comportamento organizacional, e Ken Blanchard, pesquisador e autor da área de gestão e liderança, no final da década de 1960.

A contribuição central foi questionar a ideia de que existiria um único estilo de liderança considerado o melhor para todas as pessoas e situações.

Em vez disso, a liderança precisa considerar quem está sendo liderado e as características da situação. Uma forma de conduzir que funciona muito bem com determinada pessoa, equipe ou circunstância pode não produzir o mesmo resultado em outra. Por isso é necessário flexibilidade da liderança.

Hoje, essa flexibilidade também pode incluir o conhecimento sobre perfis comportamentais DISC, por exemplo. Pessoas diferem na maneira como se comunicam, tomam decisões, estabelecem relações, respondem à pressão e preferem receber orientações.

Conhecer essas diferenças não significa rotular as pessoas nem determinar rigidamente como cada uma deve ser liderada. O perfil comportamental é uma das informações que ajudam o líder a compreender melhor quem está diante dele.

Liderar com flexibilidade significa ampliar o próprio repertório para responder melhor às diferentes pessoas, demandas e situações.

O contexto também importa

Não são apenas as características das pessoas que devem ser consideradas. A mesma pessoa pode precisar de formas diferentes de liderança em momentos diferentes, por isso o nome Liderança Situacional.

Imagine um profissional experiente, competente e acostumado a trabalhar com autonomia. Em atividades que domina, uma liderança excessivamente diretiva pode ser percebida como controle desnecessário.

Mas esse mesmo profissional pode assumir uma responsabilidade completamente nova e precisar, temporariamente, de mais orientação, acompanhamento e suporte.

O mesmo ocorre diante de mudanças, crises, conflitos, novas tecnologias ou alterações importantes na organização do trabalho.

Há situações que exigem mais direção. Outras exigem mais escuta. Algumas pedem decisões rápidas. Outras exigem participação, análise e tempo.

Liderar não é repetir continuamente a forma de agir com a qual nos sentimos mais confortáveis. É saber interpretar o que a situação exige.

Experiência não deve se transformar em rigidez

Existe uma diferença significativa entre utilizar a experiência e ficar preso a ela. A experiência oferece referências. Permite reconhecer padrões, antecipar dificuldades e tomar decisões com maior segurança. No entanto, também pode produzir um risco: interpretar situações novas utilizando sempre respostas antigas.

É comum ouvirmos: “Eu sempre fiz assim.”; “Sempre funcionou.”; “Minha equipe anterior respondia muito bem dessa maneira.”

Pode ser verdade. Mas a pergunta mais significativa é:

Funciona aqui, com essas pessoas, nesta situação e neste momento?

Reconhecer que uma resposta precisa mudar não invalida aquilo que o líder aprendeu ao longo de sua trajetória. Ao contrário, demonstra capacidade de utilizar a própria experiência com discernimento.

Liderança Situacional exige repertório

Quanto menor o repertório comportamental de um líder, maior a tendência de utilizar a mesma resposta diante de problemas diferentes.

Um líder predominantemente diretivo pode tentar resolver quase tudo oferecendo instruções e assumindo decisões. Outro, mais participativo, pode buscar consenso mesmo quando a situação exige posicionamento e rapidez.

Um líder orientado para relacionamentos pode evitar uma conversa difícil para preservar o vínculo. Outro, excessivamente orientado para resultados, pode conduzir a mesma conversa sem considerar suficientemente seus impactos sobre as pessoas.

Nenhum desses comportamentos é necessariamente inadequado.

A questão é saber quando cada comportamento é necessário e quando não funciona diante da situação.

Por isso, desenvolver uma liderança eficaz também significa ampliar repertório contiuamente: saber orientar, apoiar, ouvir, confrontar, decidir, delegar, reconhecer, dar autonomia e acompanhar.

Quanto maior o repertório, maiores são as possibilidades de escolha e de acertos.

Adaptar não significa perder autenticidade

Alguns líderes podem interpretar a adaptação do comportamento como falta de autenticidade: “Se eu sou assim, por que deveria agir de outra maneira?”

Autenticidade não significa agir sempre da mesma forma. O líder pode preservar seus valores, princípios e identidade e, ao mesmo tempo, ajustar a maneira como se comunica e conduz diferentes situações.

Uma conversa com alguém que precisa de mais segurança pode exigir mais apoio. Um profissional altamente autônomo pode precisar de espaço. Uma situação crítica pode demandar maior direcionamento. Um problema complexo pode exigir participação e diferentes perspectivas.

O princípio permanece. A forma de agir pode mudar.

Essa flexibilidade não diminui a identidade do líder. Ao contrário, amplia sua capacidade de influência, essência do exercício da liderança.

Liderança Situacional na prática

Pense em sua própria experiência:

Que situação recente exigiu de você uma resposta diferente da que funcionava antes?

Talvez tenha sido uma mudança na equipe, um profissional com perfil diferente, uma nova responsabilidade, um conflito, uma mudança estratégica ou simplesmente a percepção de que uma forma habitual de agir já não produzia os mesmos resultados.

Reconhecer isso não diminui a experiência acumulada.

A experiência nos dá repertório. A adaptabilidade nos permite reconhecer quando precisamos ampliá-lo.

Liderar de forma situacional é valorizar aquilo que aprendemos sem ficar aprisionados à experiência, reconhecendo que pessoas, contextos e situações diferentes podem exigir respostas diferentes da liderança.

Bibliografia consultada

HERSEY, Paul; BLANCHARD, Kenneth. Management of Organizational Behavior. Pearson, 2013.

THOMPSON, Geir; VECCHIO, Robert. Situational Leadership Theory: A Test of Three Versions. The Leadership Quarterly, 2009.

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