LIDERANÇA RELACIONAL: RELAÇÕES INTERPESSOAIS POSITIVAS

A dificuldade nas relações interpessoais, seguida da comunicação ineficaz é um dos principais problemas vivenciados no mundo moderno, quer seja entre amigos, entre pessoas da família ou entre pessoas do trabalho.

De fato, estamos cada vez mais conectados às informações e cada vez mais desconectados das pessoas.

Nossas experiências na área acadêmica, coaching, mentoria e em consultorias corroboram com essa afirmação, já que são inúmeros relatos de conflitos interpessoais que recebemos em nossos trabalhos nas organizações.

De modo geral essas desavenças surgem na interação diária entre duas ou mais pessoas, ocasionadas por divergência de ideias, por diferenças comportamentais, de personalidade, objetivos ou metas e por variedade de modos de perceber uma mesma situação.

O problema se instala quando essas situações não são percebidas ou não são resolvidas pelos envolvidos, ficando “mascaradas”, invisíveis, veladas e principalmente, internalizadas nos colaboradores que acabam demonstrando suas emoções somente em casos extremos, ou seja, quando não aguentam mais a situação vivenciada. Nesses casos, podem surgir as sabotagens.

Sabotagens Conscientes ou Inconscientes

Tanto as pessoas quanto as empresas sofrem a consequência das relações interpessoais negativas que geram desmotivação da equipe, queda do rendimento e da produtividade, além das sabotagens conscientes (faltas e atrasos no trabalho) e inconscientes (“estou sem vontade de fazer isso agora”). E obviamente, ao longo do tempo, a nível pessoal, esses profissionais sentem uma profunda infelicidade enquanto a organização colhe resultados negativos.

Certamente, nem tudo é um mar de rosas nas relações. As trocas de informações, a comunicação assertiva e os feedbacks constantes (tanto positivos quanto corretivos) são essenciais quando se busca a preservação dos relacionamentos. Dessa forma, é correto afirmar que o autêntico trabalho em equipe ocorre porque a experiência positiva no trabalho leva a maior fortalecimento das relações e engajamento no trabalho.

Sobretudo, para ter boas relações é necessário abrir-se para o novo, buscar compreender e ser compreendido, o que envolve, inteligência emocional e relacionamentos positivos, sinceros e verdadeiros e confiança mútua (e não  jogos de interesses).

Jogos de Interesses

Infelizmente, existe, tanto no ambiente de trabalho quanto em outros contextos sociais, os jogos de interesses, ou seja, “sou receptivo e agradável com determinadas pessoas, enquanto elas forem necessárias e convenientes para alcance das minhas necessidades e objetivos”, são aquelas alianças tidas como temporárias e ao mesmo tempo, frágeis.

É obvio que essas ações não são éticas e nem humanas, não fazem parte do comportamento de um líder transformacional e humanizado, devendo ser evitadas a todos custo. Elas não geram confiança, o principal ativo do relacionamento positivo e das negociações saudáveis.

Relações Interpessoais no Trabalho: o papel da liderança

Certamente, no ambiente de trabalho, onde passamos cerca de um terço de nossa vida é fundamental saber conviver com as pessoas e respeitá-las em suas individualidades, caso contrário, somente o fato de interagir com elas passa a ser insuportável e sofrível.

Logo, a contribuição recebida das pessoas no trabalho é resultante, principalmente, da forma com que elas são tratadas e respeitadas em suas diferenças e particularidades; com isso é possível receber como retorno o engajamento, a dedicação e por que não dizer, paixão pelo trabalho.

Entretanto, se a liderança for negativa, conflituosa, autoritária, só acumulará discórdias, desentendimentos e a falta de colaboração, tornando o ambiente extremamente competitivo e até mesmo, insuportável, ao longo do tempo.

É verdade que alguns líderes não conseguem lidar com a diversidade, com opiniões diferentes da sua, colocando-se em uma posição julgadora, deixando-se levar por uma impressão negativa das pessoas, por vieses, sem ao menos procurar conhecê-las e compreendê-las. Não são empáticos, não possuem inteligência emocional ou relacional.

Com esses líderes fica difícil a convivência e o diálogo pois eles se fecham em suas ideias e convicções, ignorando as pessoas, seus sentimentos ou o que acontece à sua volta.

Definitivamente, o papel do líder é fundamental no processo das relações interpessoais. Ele precisa ter habilidades especialmente importantes nas relações: assertividade, humanização, negociação e gestão de conflitos, conduzindo a equipe de forma harmoniosa e coesa para objetivos comuns. O reflexo do bom desempenho desse papel é um clima organizacional positivo.

Reflexos das Relações Interpessoais Positivas no Clima Organizacional

Para que o clima organizacional seja harmonioso e para que as pessoas tenham um bom relacionamento interpessoal, é necessário que cada um deixe de agir de forma individualizada e egoísta, sendo essa uma iniciativa transformacional da liderança, que além de desenvolver o time, promove continuamente relações construtivas e duradouras e não somente quando precisa que o outro faça algo.

Isso significa enfrentar os problemas de forma madura, com inteligência emocional, respeito e confiança. Além disso, é fundamental despertar a motivação no time para que todos ajam de forma colaborativa e interdependente, fazendo a gestão das relações interpessoais positivas.

Lembramos que clima harmonioso não significa ausência de conflito ou um ambiente sem qualquer desordem ou desentendimentos, mas sim que eles serão resolvidos de forma colaborativa ou por meio de um acordo saudável.

Dessa forma, não é mais surpresa que recentes pesquisas revelem que o alto nível de qualidade nos relacionamentos internos é um dos pilares da prosperidade e consequentemente, da riqueza material pois empresas que possuem relações interpessoais positivas e humanizadas tendem a ter resultados muito superiores em relação às demais.

Artigo escrito em colaboração com a Profa. Elaine Dias

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